domingo, 30 de outubro de 2011

Cais - Fernando Namora

"Ténue é o cais
no Inverno frio.
Ténue é o voo
do pássaro cinzento.
Ténue é o sono
que adormece o navio.
No vago cais
do balouço da bruma
ténue é a estrela
que um peixe morde.
Ténue é o porto
nos olhos do casario.
Mas o que em fora nos dilui
faz-nos exactos por dentro."
Fernando Namora, in 'Marketing'

Obtido em: http://www.citador.pt/poemas/cais-fernando-namora

Fernando Namora (1919 - 1989) poeta, escritor e medico português.
Esse poema, onde aparece repetidas vezes a palavra "tênue", ao contário, é denso e intenso. Fernando Namora nos fala de situações que são efêmeras na vida cotidiana, mas intensas no espírito. Quem não se encanta com a frágil cena de um cais deserto onde balança sonolento um navio esquecido ou com a imagem de um pássaro cinzento a voar sob a luz da estrela alcançada pelo pequeno peixe. Sublime é o porto visto por olhos encantados de uma janela do casario da cidade adormecida. Imagens vagas que o tempo dilui, mas que a alma retém e cimenta, para que se eternise em nossos corações.
Por
F@bio