segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

O Rio de Janeiro - Laurentino Gomes

"A cidade que acolheu a família real portuguesa, em 1808, ... Era uma espécie de esquina do mundo, na qual praticamente todos os navios que partiam da Europa e dos Estados Unidos paravam antes de seguir para a Ásia, a África e as terras recém-descobertas do Pacífico Sul. Protegidas do vento e das tempestades pelas montanhas, as águas calmas da Baía de Guanabara serviam como abrigo ideal para reparo das embarcações e reabastecimento de água potável, charque, açúcar, cachaça, tabaco e lenha. 'Nenhum porto colonial no mundo está tão bem localizado para o comércio geral quanto o do Rio de Janeiro', ponderou o viajante John Mawe. 'Ele goza, mais do que qualquer outro, de iguais facilidades de intercâmbio com a Europa, a América, a África, as Índias Orientais e as ilhas dos Mares do Sul, e parece ter sido criado pela natureza para constituir o grande elo de união entre o comércio dessas grandes regiões do globo'."


Transcrito de "1808: como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a história de Portugal e do Brasil" (pág. 153), de Laurentino Gomes. História. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2007.

Imagem "Vista do Rio de Janeiro defronte à Igreja do Mosteiro de São Bento" entre 1820 e 1825, de autoria de Johann Moritz Rugendas obtido de http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_de_Janeiro_(cidade)


Laurentino Gomes, jornalista paranaense, escreve com grande maestria um livro denso e rico de informações sobre a vinda da Família Real Portuguesa para o Brasilo, a parte mais rica do reino. O texto é fluido e retrata com grande riqueza de detalhes o contexto geopolítico da vinda da corte para os trópicos. Mostra que o ato foi ousado e arriscado, ainda que com incentivo e proteção inglesa. A vinda da Família Real propiciou grande transformação da colônia e do Rio de Janeiro em particular.
por F@bio